Estudo mostra que inclusão de Bitcoin em carteiras de ações brasileiras reduz volatilidade e melhora retorno

Autores do artigo original: Ivan Aune de Aguiar Filho, Javier Gutierrez Castro, Edison Americo Huarsaya Tito

INCLUSÃO DE BITCOIN EM PORTFÓLIOS DE AÇÕES BRASILEIRAS: UMA ANÁLISE COMPARATIVA SOB AS ABORDAGENS DE MARKOWITZ E BLACK-LITTERMAN

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) revelou que a inclusão de Bitcoin em carteiras de ações brasileiras pode reduzir a volatilidade dos portfólios em até 9,71%. A análise, baseada em dados de janeiro de 2022 a setembro de 2025, demonstrou melhorias na relação entre risco e retorno das carteiras de investimentos. As descobertas indicam que o criptoativo pode funcionar como um diversificador eficaz no mercado nacional, desde que as variações temporais sejam devidamente consideradas.

Por Ivan Aune de Aguiar Filho, Javier Gutierrez Castro e Edison Americo Huarsaya Tito, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Publicado em 30-09-2026 • Atualizado em 02/10/2026, 03:26:03

Os pesquisadores avaliaram o impacto de adicionar o Bitcoin a carteiras compostas por ações de alta liquidez do mercado brasileiro. No período analisado, as carteiras híbridas que incluíram a criptomoeda apresentaram alocações ideais variando entre 9,97% e 18,77%, dependendo da estratégia de investimento adotada.

Os resultados mostraram uma redução consistente na volatilidade dos portfólios, que recuou entre 4,81% e 9,71% com a inserção do Bitcoin. Paralelamente, houve melhora no Índice de Sharpe — indicador que mede o retorno de um investimento em relação ao seu risco —, com ganhos de eficiência que variaram de 5,85% a 66,67% em todas as estratégias testadas.

A pesquisa comparou dois métodos de otimização de carteiras tradicionais da teoria financeira: a Teoria Moderna do Portfólio (modelo de Markowitz), baseada em dados históricos, e o modelo de Black-Litterman, que combina parâmetros de equilíbrio de mercado com as visões e expectativas dos analistas. Na comparação direta, a abordagem de Markowitz apresentou desempenho superior à de Black-Litterman no cenário estudado.

Redução de risco pela diversificação

A redução no risco geral das carteiras híbridas ocorreu devido à baixa correlação histórica do Bitcoin com os ativos tradicionais do mercado de capitais brasileiro. Pela teoria de Markowitz, a combinação de ativos com comportamentos distintos ajuda a diminuir a variância total de um portfólio, compensando perdas individuais e atenuando as flutuações de preços.

A amostra de ações brasileiras utilizada no estudo incluiu Copel (CPLE6), Cemig (CMIG4), Petrobras (PETR4), Vibra (VBBR3), Gerdau (GGBR4), Bradespar (BRAP4), Bradesco (BBDC4), Itaúsa (ITSA4) e Cyrela (CYRE3). As análises de rentabilidade consideraram a taxa básica de juros (Selic) de 12,25% ao ano como referência de ativo livre de risco.

Instabilidade no curto prazo

Apesar dos resultados positivos obtidos no período completo de análise, os pesquisadores realizaram um teste de robustez focado apenas nos últimos 12 meses do estudo (de outubro de 2024 a setembro de 2025). Esse recorte revelou instabilidade no desempenho das carteiras em horizontes de tempo mais curtos.

Em períodos menores, as composições das carteiras ideais mostraram-se altamente sensíveis aos momentos macroeconômicos e à janela de observação escolhida pelo investidor. Nas carteiras focadas estritamente em retorno, a alocação de curto prazo concentrou-se fortemente em poucos ativos que apresentaram alta expressiva recente, como Cyrela e o próprio Bitcoin.

O estudo conclui que o Bitcoin pode atuar como uma ferramenta relevante para otimizar portfólios de ações brasileiras, desde que o investidor adote uma perspectiva de longo prazo e considere adequadamente a alta volatilidade do ativo e a variabilidade temporal de seus efeitos.

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Revisado e aprovado por lss.duda antes da publicação.