Inteligência artificial atua como simuladora e não substitui criatividade humana na ciência e no jornalismo, aponta estudo
Autores do artigo original: Svetlana L. Urazova
Um estudo teórico conduzido por uma pesquisadora russa aponta que a inteligência artificial (IA) generativa atua essencialmente como uma ferramenta de simulação e suporte, sem capacidade para alcançar o status de \"cocriadora\" em áreas de alta demanda criativa, como a ciência e o jornalismo. A pesquisa destaca que, enquanto os algoritmos se limitam à recombinação estatística de dados, o processo criativo humano depende de fatores não parametrizáveis, como intuição, empatia e compreensão de contexto. Compreender esses limites é considerado fundamental para mitigar riscos éticos, jurídicos e de perda de competências profissionais nas indústrias criativas.
Por Svetlana L. Urazova, Media Industry Academy — Moscou, Rússia
Publicado em 2026-07-03 • Atualizado em 8/29/2026, 11:49:44 AM
A pesquisa analisou a aplicação da inteligência artificial generativa em setores de alta exigência cognitiva, como a produção de notícias e o desenvolvimento científico. O estudo indica que a interação entre humanos e tecnologias de linguagem atua em um modelo de assimetria instrumental, no qual o ser humano atua como o sujeito definidor de metas, contextos e significados, enquanto a tecnologia desempenha o papel de assistente operacional.
Segundo os dados levantados no estudo, os índices de adoção de inteligência artificial na Rússia apontam que 62% das organizações de mídia e 43% das instituições científicas utilizam a ferramenta. No entanto, em ambos os setores, a tecnologia é direcionada majoritariamente para processos produtivos e organizacionais secundários, mantendo-se marginal nas etapas centrais de geração de significados e novos conhecimentos.
Diferenças operacionais e cognitivas
A análise aponta diferenças fundamentais entre o funcionamento dos algoritmos de IA e o pensamento criativo humano. O modelo computacional baseia-se em lógica matemática, classificação estatística e regras de linguagem estrutural para recombinar padrões preexistentes. Em contrapartida, o ato criativo humano envolve elementos não passíveis de automatização, como a intuição (insight), a empatia e a reflexão subjetiva.
Para ilustrar essas dinâmicas, o estudo incluiu uma análise pragmática de uma interação realizada com o modelo de inteligência artificial DeepSeek. No diálogo analisado, a própria tecnologia reconheceu que a sua capacidade criativa se limita à reprodução estilística e à compilação de dados prévios em larga escala, enquanto o discernimento crítico, a autocrítica e a profundidade de contexto são características exclusivas do intelecto humano.
Riscos e o futuro das indústrias criativas
O uso crescente da inteligência artificial generativa traz dilemas éticos e práticos para os profissionais de criação. Entre os principais desafios apontados pelo estudo estão a diluição da responsabilidade e do direito de autoria, a necessidade de verificação constante para mitigar \"alucinações\" (quando a máquina gera informações falsas) e o risco de declínio na qualificação de jovens profissionais que dependam excessivamente da ferramenta.
O estudo conclui que a tecnologia deve ser integrada de forma crítica e regulada, operando como um mecanismo de suporte à pesquisa e à redação, enquanto a tomada de decisões, a interpretação crítica e a definição dos aspectos éticos permanecem sob responsabilidade humana.